São Tomé - A Ilha

Os guias turísticos locais disponibilizam três rotas para dar a conhecer a ilha: ao norte, ao sul e ao centro. Acredito que os pontos a visitar não variem muito uns dos outros e na minha opinião, é tudo uma questão de preço. 

No dia que saímos do ilhéu, em vez de irmos diretos para o hotel Club Santana em São Tomé e aproveitando que o porto de desembarque é zona sul da ilha, optámos por fazer logo a rota desse lado. Nesta rota, os principais pontos de visita são as praias. 

O primeiro sítio onde passámos foi na Roça de Porto Alegre. Que de alegre tem muito pouco ou nada. Foi o sítio mais pobre onde passei durante todos os dias e aquele onde mais me custou olhar em redor. A pobreza é muito elevada aqui e as condições de habitação e higiene muito chocantes. Foi também o primeiro sítio onde me apercebi da falta de sentido de oportunidade que o povo de São Tomé teve perante as coisas que lhes foram parar às mãos. Peço desculpa se estou a dizer alguma barbaridade, de história percebo pouco e não é minha intenção ofender ninguém, mas perante edifícios tão grandes e de boa construção, estarem neste momento em completa ruína por falta de manutenção, custa um bocado. Principalmente, porque as pessoas fazem uso deles, vivem lá. 

Pelos caminhos, passámos pela praia Piscina, praia Jalé e pela mais bonita de todas, a praia Inhame. Fiquei encantada. Com a dimensão da baía, do areal sem rocha, da calmaria do mar e da floresta em redor. Um verdadeiro paraíso.

Depois, o almoço. Uma das coisas que tinha decidido logo de início, é que queria almoçar na roça do Chef João Silva, famoso pelo programa de TV "Na roça com os tachos". Os guias não gostam muito de levar os turistas lá, porque é um sítio onde a refeição não serve só para alimentar a barriga, mas também para conviver, conversar e aprender. Logo, é coisa para demorar. Mas nós tínhamos acordado e lá fomos. Ter um chef a cozinhar para nós, à nossa frente, na maior das simpatias, como se fossemos uma visita em sua casa, falando disto e daquilo, enquanto nos deliciamos com a comida, as histórias e a maravilhosa paisagem do terraço, é qualquer coisa de único. Até uma chuvada apareceu para dar o seu ar de graça. Fiquei fã do conceito e do chef. Espero nunca esquecer esse momento, porque de certeza, que não vou ter outro igual. E a roça é linda.

O resto do passeio foi feito com cansaço e um pequeno desejo de chegar ao hotel, tomar banho e descansar. Mas até lá, ainda houve paragens na praia Micondó, na Boca do Inferno e numa cascata que não me lembra o nome.

Quando chegámos ao hotel, eram quase 18h. Já escurecia e mesmo assim, deu para perceber que tínhamos feito certo em escolher o Club Santana, ao invés de qualquer Pestana na cidade. Mas dos hotéis falo depois.

Dia seguinte, rota norte. A diferença entre o norte e o sul é bastante grande. Tanto na paisagem, que é muito menos luxuriante e bonita, como na estrada. No norte, parece que o alcatrão acabou em mil e novecentos e é difícil andar a mais de 20km/h sem estragar nada no veículo. Aliás, devo dizer que quem conduz naquela ilha, tem de ser muito bom condutor. Mas por causa disso, esta rota foi ainda mais cansativa. Entre o pára arranca constante, passámos nalgumas roças em funcionamento, numa praia (Micolo, se não estou em erro), numa aldeia muito pobre mas que tem um senhor fantástico a cuidar das tartarugas que lá desovam e nascem, na Lagoa Azul para um prolongado mergulho, na aldeia Neves para almoçar uma santola e no regresso, em mais alguns sítios bonitos, onde inclusive "roubámos" um cacau e apanhámos uma operação STOP. Foi um dia cheio. Mais uma vez, chegámos ao hotel rebentadinhos.

Optámos por não fazer a rota ao centro, achámos que não era muito interessante e era o último dia. E para além de querermos aproveitar a praia do hotel, nessa noite tínhamos de acordar às 4h da manhã.

Ficam algumas fotos tiradas nos passeios. Ainda hei-de fazer outro post com recomendações e opiniões que podem ser úteis a quem lá queira ir um dia.

Na roça de Porto Alegre. Secagem de peixe.

Na roça Porto Alegre.

A antiga casa "do senhor", na roça de Porto Alegre

Praia Piscina

Praia Inhame
Roça dos Angolares, do Chef João

A sala de entrada na roça

O cantinho zen do terraço onde é servida a refeição.

O chef e um dos muitos alunos que aprendem com ele.
Roça da Boavista


Nesta roça produz-se cacau.

Com uma tartaruga recém-nascida. À noite iam ser colocadas na areia para seguirem o seu caminho.

Lagoa Azul

Neves. A aldeia onde comi pela primeira vez, uma santola.

Esta é a aldeia de Neves, mas podia ser qualquer outra.

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